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Cronologia123

Descoberta em 1419 e povoada a partir de 1425, a Madeira foi sucessivamente a ilha do açúcar, do vinho, dos ingleses e dos convalescentes, antes de se tornar região autónoma em 1976 e destino de natureza. Cada data abaixo deixou uma marca visível na ilha.

123 datas, da descoberta até hoje: siga o fio.

Séculos XIV – XV19
  1. XVe

    Século XV

    A primeira igreja de São Vicente

    Não há registos concretos sobre a criação da freguesia de São Vicente, mas vários relatos apontam para o século XV. A primeira igreja teria sido construída no lugar do Poiso, num sítio denominado Serrado.

  2. XVe

    segunda metade do século XV

    Machico torna-se vila

    O povoado de Machico é feito vila, por certo em simultâneo com o Funchal. Cresce ao longo do vale, protegido pela encosta, e a poderosa família dos capitães-donatários manda erguer ali a igreja matriz, com o orago de Nossa Senhora da Conceição, nos finais do século.

  3. 1418

    Porto Santo

    Zarco e Tristão Vaz Teixeira chegam ao Porto Santo

    Depois de dias à deriva, os navegadores de João Gonçalves Zarco encontram um «porto seguro»: o Porto Santo. No ano seguinte chegam a uma ilha a que chamam Madeira, pela abundância da floresta.

  4. 1419

    Machico

    Desembarque a 2 de julho e primeira missa

    A ilha é alcançada a 1 de julho de 1419 e o desembarque acontece no dia seguinte na baía de Machico, onde a Capela dos Milagres marca o lugar da primeira missa. Reza a lenda que um século antes a inglesa Anne d'Arfet e o cavaleiro Robert Machim, que deu nome à cidade, aqui se refugiaram.

  5. 1419

    1 de julho de 1419

    A âncora na baía

    Contornando a Ponta de São Lourenço, João Gonçalves Zarco lança âncora na baía de Machico, escolhida por dar abrigo. A tripulação passa a noite a bordo e só desembarca no dia seguinte, numa ilha coberta pelo arvoredo denso que lhe dará o nome.

Séculos XVI – XVIII39
  1. XVIe

    O ouro branco

    O açúcar faz a fortuna da ilha

    A cana, introduzida por estacas da Sicília, traz uma prosperidade notável: desde o século XVI a Madeira conta-se entre os produtores de açúcar mais famosos do mundo, exportando para o continente, o golfo da Guiné, África, o norte da Europa e o Mediterrâneo. As telas flamengas do Museu de Arte Sacra e a casa de João Esmeraldo, onde Cristóvão Colombo se hospedou, são testemunhos; o declínio vem com a União Ibérica (1580–1640).

  2. 1501

    1501

    Quinta do Cabo Girão

    Primeira menção da propriedade que viria a ser a Quinta Grande. Mudará várias vezes de nome com os seus donos — Noronha, Ataíde, os Padres, a Companhia, a Vera Cruz — antes de guardar o que remetia para a sua dimensão.

  3. XVIe

    meados do século XVI

    As duas margens de Machico

    A vila organiza-se em dois polos separados pela ribeira: à direita o bairro oficial, com a Câmara, a Alfândega e a Igreja; à esquerda a Banda d'Além, onde ficavam a Misericórdia e a Capela de Cristo, hoje capela do Nosso Senhor dos Milagres.

  4. 1503

    1503

    O morgadio de João de França

    No Estreito da Calheta, João de França, filho de André Gonçalves de França, constrói a capela de Nossa Senhora da Graça e institui um morgadio.

  5. 1507

    1 de abril de 1507

    O fundador da Ponta Delgada

    Manoel Affonso Sanha, escudeiro de D. Fernando que veio servir o Infante D. Henrique, morre e é sepultado na igreja paroquial. Recebera extensas terras de sesmaria, instituíra um morgado por testamento e fundara a ermida do Senhor Bom Jesus. O seu neto António de Carvalhal, falecido a 15 de julho de 1598, repousa no mesmo lugar.

Século XIX19
  1. XIXe

    Os convalescentes

    A aristocracia europeia vem pelo clima; nasce o turismo

    Atraída pelas virtudes terapêuticas da ilha, parte da aristocracia europeia instala-se temporariamente a partir do século XIX. O bordado exporta-se para o Reino Unido depois de 1850, a indústria do vime nasce na Camacha em 1850, a Quinta do Bom Sucesso (futuro Jardim Botânico) é fundada em 1881 pelos Reid, o Teatro Baltazar Dias abre em 1888 e a central elétrica em 1897; os carros de cesto do Monte, criados como transporte público, tornam-se atração.

  2. 1801

    Os britânicos

    Duas ocupações, uma comunidade duradoura

    Ocupação britânica de 23 de julho de 1801 a 27 de janeiro de 1802 e depois de dezembro de 1807 a 1814 sob Beresford; o Forte de São José serve de quartel-general e depois de prisão. A comunidade inglesa marcará o século XIX: igreja anglicana do cônsul Henry Veitch, comerciantes exportadores de bordado, jardins e quintas.

  3. 1801

    1801–1807

    O forte nas mãos dos britânicos

    Durante a ocupação britânica, o Forte de São Tiago serve de quartel-general às tropas e mais tarde de prisão.

  4. 1803

    A grande aluvião

    Outubro de 1803: Funchal, Machico e Ribeira Brava devastados

    A Fortaleza de São Tiago abriga os sinistrados; em Machico a Capela do Cristo é destruída e o crucifixo, levado pelas águas, é recuperado do mar três dias depois — daí a Capela dos Milagres e a sua procissão anual; o Forte de São Bento fica em ruínas até 1916.

  5. 1832

    1832–1835

    Nascimento do concelho de Santana

    O concelho é criado em 1832 e instalado em 1835 com seis freguesias: Arco de São Jorge, São Jorge, Santana, Faial, São Roque do Faial e Porto da Cruz. Luís Augusto Acciaioli, vindo de Machico, será o primeiro administrador durante 51 anos.

Século XX36
  1. 1901

    1901–1903

    A visita régia

    D. Carlos de Bragança e a rainha D. Amélia visitam a Madeira em 1901. As fotografias da visita valerão em 1903 a Vicente Júnior o título de fotógrafo da Casa Real Portuguesa.

  2. 1907

    19 de setembro de 1907

    A igreja do Jardim do Mar

    O bispo D. Manuel Agostinho Barreto benze a nova igreja paroquial do Jardim do Mar, iniciada pelo pároco César Martinho Fernandes com o mesmo orago. O edifício do século XX é descrito como uma «réplica» da Notre-Dame de Paris.

  3. 1912

    1912

    O atum em conserva

    A abundância de peixe migratório faz nascer no Paul do Mar uma indústria de conserva de atum para exportação. A chaminé da antiga fábrica ainda o testemunha.

  4. 1914

    6 de maio de 1914

    O último concelho a nascer

    A Ribeira Brava é criada por desmembramento dos concelhos da Ponta do Sol e de Câmara de Lobos, que perde o Campanário. É o concelho mais novo do arquipélago.

  5. 1917

    Os submarinos

    O Funchal bombardeado; a promessa de Nossa Senhora da Paz

    Durante os bombardeamentos do Funchal pelos submarinos alemães em 1917, os madeirenses prometem erguer um monumento: a estátua de mármore de cinco metros de Nossa Senhora da Paz no Terreiro da Luta, a maior da ilha.

Século XXI e hoje10
  1. 2001

    1 de janeiro de 2001

    Santana, cidade do século XXI

    Santana é elevada a cidade, o que o município reivindica como «a primeira cidade do século XXI». Dez anos depois será classificada como Reserva da Biosfera pela UNESCO.

  2. 2003

    2003–2004

    A ilha ganha complexos balneares

    O complexo balnear do Caniçal abre em 2003. Em 2004 chegam a praia da Calheta, primeira praia artificial da Madeira com areia dourada importada de Marrocos, o complexo das Salinas na baía de Câmara de Lobos, no sítio histórico onde se extraía sal, e o do Porto do Seixal.

  3. 2004

    Hoje

    Casa das Mudas 2004, Museu CR7 2013, Praça do Povo 2014, levadas propostas à UNESCO, percursos pagos 2026

    A ilha do turismo de natureza: centro de artes da Calheta premiado (2004), praias artificiais da Calheta (2004) e de Machico, museu de Cristiano Ronaldo (2013), levadas na lista indicativa da UNESCO em 2017 e propostas oficialmente desde 2023, rede de 39 percursos classificados sujeitos desde 1 de janeiro de 2026 a reserva e taxa, entrada gratuita no Jardim Botânico para residentes.

  4. 2008

    14 de agosto de 2008

    O decreto sobre as florestas

    O Decreto Legislativo Regional n.º 35/2008/M define o regime de proteção dos recursos naturais e florestais: qualquer atividade lúdica ou desportiva e qualquer circulação de veículos em espaço florestal depende desde então de autorização prévia do instituto regional das florestas.

  5. 2009

    2009

    Dois miradouros

    O miradouro da Ribeira da Janela é inaugurado com equipamentos pensados tanto para a população como para os visitantes. No mesmo ano, a Câmara do Funchal constrói o miradouro de Santa Luzia.

Cultura e tradições15

Bordado certificado, vime da Camacha, bailinho e braguinha, casas de colmo de Santana, carros de cesto do Monte: a cultura da ilha no dia a dia.

  • O bordado Madeira

    Desde o século XV; exportado para o Reino Unido depois de 1850; selo de garantia do instituto do vinho, do bordado e do artesanato

    Nascido, pensa-se, entre as mulheres nobres para ornar casas, roupas e igrejas, com motivos naturalistas inspirados na paisagem, ganhou impulso quando comerciantes ingleses do Funchal começaram a exportá-lo. Linho, seda natural, organdi e algodão; pontos Richelieu, caseado, arrendado, ponto de corda, francês e garanito; meses de trabalho por peça. Cerca de uma dúzia de empresas e perto de mil bordadeiras hoje, com presenças na Homo Faber, na Fashion Week de Paris e na Chanel.

  • O artesanato

    Vime da Camacha (desde 1850), botas de vilão, barrete de orelhas, instrumentos

    As botas de vilão, resistentes e impermeáveis, calçavam o interior da ilha; o barrete de orelhas de lã protegia os pastores; o vime, longamente tratado, dá cestos, mobiliário e os carros de cesto do Monte, em oficinas familiares onde tudo se faz em casa. Produzem-se também objetos de cana e madeira, cerâmica, bonecas e instrumentos musicais.

  • O folclore

    O bailinho, o brinquinho, a braguinha, as saias às riscas das viloas

    Danças e cantares que recriam a vida pastoril, agrícola e amorosa, levados pelos grupos das freguesias e das Casas do Povo; instrumentos: machete, rajão, braguinha, viola de arame, triângulo e brinquinho, criação local. O traje mistura influências do Minho, mouriscas, africanas e flamengas; as saias vermelhas às riscas coloridas inspiram a moda. Galas internacionais de folclore e Festival da Boa Nova durante a Festa do Vinho.

  • Os ícones

    Casas de Santana, carros de cesto, teleférico, Reserva da Biosfera de Santana (2011)

    Casas triangulares de madeira e colmo, carros de cesto empurrados por dois carreiros desde o século XIX, teatro à italiana de 1888, o estúdio fotográfico mais antigo do país (1865), os museus do Funchal, a Casa das Mudas na Calheta, o Museu Etnográfico na Ribeira Brava, o Museu da Baleia no Caniçal.

Lugares de memória115

Catedral, palácio, museus, igrejas e fortalezas: os lugares onde a história se toca com a mão.

  • 🏛️ Cultura

    Sé Catedral do Funchal

    • 🏅 Monumento Nacional

    A igreja-mãe do arquipélago, no coração da cidade, Monumento Nacional desde 1910. Mandada construir pelo rei D. João II em 1493 e concluída no início do século XVI, mistura gótico e manuelino: portal gótico em pedra do Cabo Girão com oito arquivoltas em ogiva, grande retábulo políptico em talha dourada sob um baldaquino gótico, cadeiral trabalhado na capela-mor e, sobretudo, um teto em cedro da ilha, obra-prima de decoração mudéjar herdada da tradição islâmica. A cruz processional aqui guardada é tida como uma das obras-primas da ourivesaria manuelina portuguesa. Rua do Aljube; aberta todos os dias nos horários indicados.

  • 🏛️ Cultura

    Palácio de São Lourenço

    • 🏅 Monumento Nacional

    O exemplo mais imponente de arquitetura civil e militar da ilha, na Avenida Zarco. Começado na primeira metade do século XVI e concluído sob o domínio espanhol (1580–1640), primeiro fortaleza, depois residência dos capitães-donatários e dos governadores; a partir de 1834, função residencial e divisão em duas zonas — o Palácio, residência oficial, e a zona militar do comando da Zona Militar da Madeira, com um museu de armas. Monumento Nacional desde 1943, combina estilos militar, manuelino e maneirista. Hoje residência oficial do Representante da República