SABIA QUE? · A desta hora
As bebidas — Poncha, nikita, laranjada (1872), Brisa Maracujá (1970), cerveja Coral, rum, vinho Madeira
A poncha, nascida no século XVIII em Câmara de Lobos para aquecer os pescadores, bate-se com o mexelhote e serve-se com um dentinho; a laranjada é um dos refrigerantes mais antigos do mundo e a Brisa o primeiro com sumo puro de maracujá; a nikita mistura gelado, ananás e cerveja.
História: de 1419 até hoje14
1 de julho de 1419 — A âncora na baía
Contornando a Ponta de São Lourenço, João Gonçalves Zarco lança âncora na baía de Machico, escolhida por dar abrigo. A tripulação passa a noite a bordo e só desembarca no dia seguinte, numa ilha coberta pelo arvoredo denso que lhe dará o nome.
1480 — O curral das freiras
O 2.º capitão-donatário do Funchal, João Gonçalves da Câmara, compra a vasta propriedade do Curral e doa-a às filhas Elvira e Joana, freiras professas em Santa Clara. O lugar, até aí simples «Curral» e centro de pastagens de gado lanígero e caprino, passa então a chamar-se Curral das Freiras.
1540 — A imagem vinda do mar
Segundo a tradição, a imagem do Senhor Bom Jesus chega à Ponta Delgada numa caixa que deu à costa na praia. O padroeiro da freguesia festeja-se a 1 de janeiro, e o grande arraial do Bom Jesus, no primeiro fim de semana de setembro, atrai romeiros de toda a ilha desde o século XVI.
1566 — Os corsários — Ataque ao Funchal; as freiras refugiam-se no Curral das Freiras
As freiras do Convento de Santa Clara fogem para o vale invisível do mar que tomará o seu nome. A cintura de fortes que se segue — Palácio de São Lourenço (séc. XVI), Fortaleza de São Tiago (1614), São José (séc. XVIII), São Bento na Ribeira Brava (1708), Reis Magos e Fortim do Faial (séc. XVIII) — responde a estes ataques.
finais do século XVII — A enchente e a imagem
Uma enchente arrasta paramentos da igreja de São Vicente, entre os quais uma imagem do santo, para a ribeira. Acalmadas as águas, a imagem é encontrada intacta na base de um rochedo: o povo ergue ali a ermida talhada na rocha que ainda hoje se visita.
Séculos XVII–XVIII — O vinho — Um novo ciclo económico, até ao brinde de 1776
O vinho substitui o açúcar como principal produto de exportação desde o fim do século XVI; já era exportado vinte e cinco anos após o início do povoamento e serviu para celebrar a independência dos Estados Unidos a 4 de julho de 1776. As adegas mais antigas da ilha, nas Adegas de São Francisco, datam dos séculos XVII e XVIII.
Século XIX — Os convalescentes — A aristocracia europeia vem pelo clima; nasce o turismo
Atraída pelas virtudes terapêuticas da ilha, parte da aristocracia europeia instala-se temporariamente a partir do século XIX. O bordado exporta-se para o Reino Unido depois de 1850, a indústria do vime nasce na Camacha em 1850, a Quinta do Bom Sucesso (futuro Jardim Botânico) é fundada em 1881 pelos Reid, o Teatro Baltazar Dias abre em 1888 e a central elétrica em 1897; os carros de cesto do Monte, criados como transporte público, tornam-se atração.
1848–1866 — Vicente, fotógrafo das cortes
Vicente Gomes da Silva começa como gravador na Praça de São João em 1848, recebe a 27 de abril de 1853 a mercê de gravador da Imperatriz do Brasil, dedica-se à fotografia por volta de 1852 e adquire o seu atelier em 1865. O retrato da Imperatriz Elisabeth da Áustria, feito em 1860, valeu-lhe em 1866 o título de fotógrafo de Sua Majestade.
1912 — O atum em conserva
A abundância de peixe migratório faz nascer no Paul do Mar uma indústria de conserva de atum para exportação. A chaminé da antiga fábrica ainda o testemunha.
1917 — Os submarinos — O Funchal bombardeado; a promessa de Nossa Senhora da Paz
Durante os bombardeamentos do Funchal pelos submarinos alemães em 1917, os madeirenses prometem erguer um monumento: a estátua de mármore de cinco metros de Nossa Senhora da Paz no Terreiro da Luta, a maior da ilha.
1922 — Um imperador no Monte — Carlos I da Áustria morre no exílio na Quinta do Monte
O último imperador da Áustria e rei da Hungria descansa desde então na igreja de Nossa Senhora do Monte, acima do Funchal.
janeiro de 1950 — Churchill pinta a baía
Sentado no Miradouro do Espírito Santo, de frente para o mar, Winston Churchill monta o cavalete e pinta a baía de Câmara de Lobos. O quadro fixou para sempre a imagem do pequeno porto de pesca.
1996 — As grutas abrem
As Grutas de São Vicente estão entre as primeiras cavidades de origem vulcânica abertas ao público em Portugal. Formaram-se quando a superfície de uma escoada, arrefecendo mais depressa, solidificou enquanto a lava continuava a correr por dentro, deixando túneis.
20 de fevereiro de 2010 — A aluvião — Uma tempestade faz cerca de 32 mortos
A aluvião de 20 de fevereiro de 2010 atinge sobretudo a costa sul; no Monte destrói a capela de Nossa Senhora da Conceição de 1906, no Largo das Babosas.
Natureza e geologia2
As grutas e os fósseis — Tubos de lava com 890 000 anos em São Vicente; fósseis marinhos com 5 Ma nos Lameiros; dunas fósseis com 300 000 anos na Piedade
As grutas de São Vicente, nascidas de uma erupção no Paul da Serra, visitam-se ao longo de 700 m; a Rota da Cal mostra calcários e fósseis com mais de cinco milhões de anos; as dunas da Piedade, na Ponta de São Lourenço, guardam raízes fossilizadas únicas na Europa. Disjunção prismática na Foz da Ribeira do Faial, foz suspensa do Véu da Noiva, escoada classificada na Foz da Ribeira da Janela.
Duas vertentes, dois climas — O norte chuvoso abastece o sul seco pelas levadas
A cordilheira bloqueia os alísios: o norte e as alturas recebem as chuvas e os nevoeiros que a Laurissilva capta, o sul é quente e seco — daí, desde o povoamento, os canais que levam a água do norte para o sul. Neve possível no inverno no maciço, onde o instituto regional das florestas descreve longos mantos brancos.
Laurissilva e espécies endémicas3
Património Mundial — Inscrita pela UNESCO em dezembro de 1999; 25 anos celebrados em 2024–2025
Único bem de Portugal na categoria de património natural até à data; o programa dos 25 anos encerrou a 24 de novembro de 2025 na Torre do Capitão (Santo Amaro). O seu uso é regulado pelo Plano de Ordenamento e Gestão da Laurissilva.
A fábrica de água — O nevoeiro condensa-se nas folhas e alimenta nascentes e levadas
A grande eficiência destas plantas na retenção da água dos nevoeiros e da chuva regula o equilíbrio hídrico da ilha: as levadas captam as suas águas nas nascentes da floresta primitiva. As 25 Fontes, aquífero suspenso classificado como geossítio, são o exemplo.
Miocénico e Pliocénico — Uma floresta do Terciário, «fóssil vivo»
A Laurissilva remonta ao Miocénico e ao Pliocénico da era terciária. Ser um fóssil vivo não lhe tira vigor: continua a crescer, a reter a água e a abrigar espécies que não existem em mais lado nenhum.
As levadas: história e engenharia3
Quantas — 103 levadas principais de gestão pública
Número do dossiê de proposta à UNESCO preparado pelo Governo Regional; oito delas, num total de 25,20 ha de bem proposto e 7584 ha de zona tampão, representam o conjunto. Servem o consumo humano, a rega, os moinhos tradicionais, a produção de eletricidade e o pedestrianismo.
1855 — Túnel das Estrebarias — Pela primeira vez, a água do norte atravessa a ilha para o sul
O «Furado Velho» da Levada do Risco (Levada Velha do Rabaçal, construída de 1835 a 1860, 7,15 km) inaugura as travessias sob a crista; a madre fica nas Fontes do Risco, a 1038 m.
1958–1966 — Levada dos Tornos — 63 km, a mais longa da ilha; secção norte de 17,18 km com três túneis
Nascida na Ribeira dos Tornos (Boaventura, 660 m), alimenta a central da Fajã da Nogueira e depois os concelhos do Funchal, Santa Cruz e Machico para água potável e rega — um salto de habitabilidade para a costa sudeste.
Cultura e festas5
Os ícones — Casas de Santana, carros de cesto, teleférico, Reserva da Biosfera de Santana (2011)
Casas triangulares de madeira e colmo, carros de cesto empurrados por dois carreiros desde o século XIX, teatro à italiana de 1888, o estúdio fotográfico mais antigo do país (1865), os museus do Funchal, a Casa das Mudas na Calheta, o Museu Etnográfico na Ribeira Brava, o Museu da Baleia no Caniçal.
Homo Faber, Chanel — O bordado nas passerelles
O Bordado Madeira foi apresentado recentemente na Homo Faber, a maior feira de artesanato da Europa, na Semana da Moda de Paris graças à Chanel, e nas coleções do criador americano Jeff Garner.
1850 — o vime da Camacha — Uma indústria nascida numa só freguesia
A indústria do vime, nascida na Camacha, começa em 1850. Depois de um tratamento complexo, o material permite fabricar cestos, móveis e os famosos carros de cesto do Monte. A produção continua a ser sobretudo familiar.
1700 variedades de rosas — O roseiral da Quinta do Arco, em São Jorge
Na costa norte, a Quinta do Arco reúne mais de 1700 espécies e variedades de rosas diferentes — um conjunto apresentado como único na Europa e no mundo.
Partir da Calheta — O concelho que mais emigrou
A Calheta é, segundo a própria Câmara, o concelho que terá enviado mais madeirenses para todos os cantos do mundo. A emigração marcou duradouramente o oeste da ilha, as suas casas e os seus regressos.
Gastronomia: as especialidades2
O pão — Bolo do caco: cozido numa pedra de basalto, nascido no Porto Santo
Batata-doce na massa, côdea estaladiça, manteiga de alho e salsa: a acompanhar a espetada, as lapas ou em prego.
As bebidas — Poncha, nikita, laranjada (1872), Brisa Maracujá (1970), cerveja Coral, rum, vinho Madeira
A poncha, nascida no século XVIII em Câmara de Lobos para aquecer os pescadores, bate-se com o mexelhote e serve-se com um dentinho; a laranjada é um dos refrigerantes mais antigos do mundo e a Brisa o primeiro com sumo puro de maracujá; a nikita mistura gelado, ananás e cerveja.
O vinho Madeira1
Canteiro ou estufagem — Envelhecimento lento em casco nos «canteiros» ou aquecimento a cerca de 50 °C durante três meses
O nome «canteiro» designa as traves que sustentam os cascos nas adegas, onde as castas nobres envelhecem naturalmente; a estufagem, aplicada à maioria dos vinhos, reproduz em cubas aquecidas o efeito das longas viagens marítimas que outrora beneficiavam os vinhos «de torna-viagem». Vinho beneficiado com aguardente vínica, 17 a 22 % vol.
Oceano e vida marinha5
Rocha do Navio — Reserva exclusivamente marinha querida pela população de Santana (1997), 1822 ha
Resposta à degradação dos recursos por pescas destrutivas; inclui o Ilhéu da Viúva e o Ilhéu da Rocha das Vinhas; acesso por vereda escarpada ou teleférico, mar frequentemente alteroso.
A caça à baleia — 1941–1981 no Caniçal; fim voluntário; museu criado a 26 de fevereiro de 1990, novo edifício a 2 de setembro de 2011
Quarenta anos de caça cujos utensílios e relatos o museu municipal de Machico conserva, com modelos em tamanho real e filmes 3D; a paragem de 1981 seguiu-se à proibição de comercialização de produtos baleeiros por vários países e ao declínio dos avistamentos.
Temperatura da água — 18 a 24 °C consoante a época (Vigário); 20–21 °C em média no Porto Moniz; mais de 24 °C no verão na Fajã dos Padres
O sul é mais calmo, o norte mais agitado — os surfistas vão ao Jardim do Mar, ao Paul do Mar, a São Vicente e ao Porto da Cruz.
Lycosa ingens — A tarântula das Desertas
Espécie endémica, a tarântula das Desertas vive no vale da Castanheira, na Deserta Grande, a maior das três ilhas. As Desertas são também um centro de nidificação importante para as aves marinhas.
O último bastião — A foca-monge do Mediterrâneo
As Desertas são descritas como um dos últimos bastiões da foca-monge do Mediterrâneo, um dos mamíferos marinhos mais ameaçados do mundo. É por ela que a proteção do arquipélago foi reforçada a partir de 1990.
Banhos na Madeira2
A areia — Preta e natural no Seixal, na Alagoa e na Prainha; dourada e importada de Marrocos na Calheta (2004) e em Machico
A Praia Formosa, a maior praia pública, alinha mais de 2 km de calhau e areia preta a oeste do Funchal; a Calheta foi a primeira praia artificial da ilha.
Enseadas à parte — Fajã dos Padres e Garajau de teleférico. Calhau da Lapa por vereda ou barco
Sob uma arriba de 250 m, a Fajã dos Padres e o seu mar acima dos 24 °C no verão; a praia do Garajau, na reserva, para o mergulho; o Calhau da Lapa, assinalado temporariamente encerrado.
A rede de percursos classificados1
A travessia do PR 1 — Areeiro → Ruivo em sentido único; saída pelo PR 1.2 ou PR 1.1; sem shuttle de regresso
Desde 1 de maio de 2026 o troço Pedra Rija – Pico Ruivo só é transitável no sentido Areeiro → Ruivo; desce-se para a Achada do Teixeira ou para a Ilha e organiza-se o próprio transporte. O PR 1.3 para a Encumeada mantém-se encerrado para lá da Boca das Torrinhas: nenhuma travessia leste-oeste por percurso classificado é possível por agora.